Barroca d´Alva

É muito difícil escrever sobre a Barroca, mas não tem como ignorá-la. É dentro dos seus limites que se encontra a Ermida do Vale de Santo António. Colar aqui alguma coisa do que já foi dito sobre Jácome Ratton que foi o grande engenheiro da região na sua época. Contar uma pouco sobre a ligação com a família Daupias até à transferência para José Maria dos Santos. De lá para cá, já vimos as histórias dos Santos Jorge e dos Lupi, até ao proprietário atual, José Samuel Pereira Lupi e as remodelações hodiernas, que podemos ver em www.barrocadalva.com ...

Da página da Ermida, extraímos:
1585 - os terrenos da Barroca, de origem terras da Coroa, encontravam-se na posse de Álvaro Afonso de Almada;
1619 - o fidalgo André Ximenes de Aragão, cavaleiro da Ordem de Cristo (6º filho de Duarte Ximenes de Aragão e de Isabel Rodrigues da Veiga e irmão de Fernão Ximenes de Aragão, rico mercador), institui, em testamento com sua mulher D. Maria Ximenes, um morgadio de 10 mil, cruzados que tinha como sede a Barroca d'Alva e importância de que era credor ao Duque de Bragança; a administração deste vínculo passou depois a um filho de nome Tomás e, por morte deste, a um seu sobrinho, Jerónimo; deste passou a outro sobrinho, Rodrigo Ximenes de Aragão e depois a seu neto Francisco Inácio Ximenes Coutinho de Aragão Barriga e Veiga; foi depois o morgadio herdado por Rodrigo Caetano Pereira Coutinho Barriga e Veiga seu filho bastardo; nesta altura já a maior parte das terras da Barroca tinham revertido para a Coroa;
1747 - Jácome Ratton (1736 -1822) chega a Portugal;
1767 - Ratton obtém da Coroa o arrendamento perpétuo das terras da Barroca e inicia no local uma plantação de amoreiras e criação de bichos-da-seda; procede ao arroteamento dos terrenos incultos, enxugo de pântanos, limpeza de valas, etc.; nos terrenos existia então, segundo o próprio Ratton, apenas uma ermida, dedicada a Santo António (2), com casa anexa em ruínas, que eram pertença da comenda de São Tiago de Alcochete; Ratton teria procedido ao restauro da ermida, mantendo as suas características (3);
1810 - perseguido por suspeita de colaboração com os franceses durante as invasões, Ratton exila-se em Inglaterra; durante a sua ausência será o seu filho Diogo Ratton a assumir a direcção dos negócios; senhor do Prazo da Barroca d'Alva, membro da Comissão de Obras Públicas e membro fundador da Sociedade Promotora da Indústria Nacional, conclui as obras do primitivo solar da Barroca, hoje desaparecido;
1876 - José Maria dos Santos, compra a Barroca e courelas anexas ao Barão de Alcochete, Jacques Léon Daupiás, filho de Bernard Daupiás, 1º Barão e 1º Visconde de Alcochete, casado com Emília Júlia Ratton, sua prima, e herdeira da Barroca por via paterna;
1913 - morre José Maria dos Santos passando a direcção dos seus negócios para o seu sobrinho António Santos Jorge pai do actual proprietário Samuel Lupi Santos Jorge."...

... certamente este "actual" está defasado, já que entretanto a Barroca estava inserida no contexto de Rio-Frio e essa história já a corremos em outros capítulos... mas vamos aproveitar para ver como foi a história da Barroca Daupiás:

Filhos de Jácome Ratton Netos depois notas
Francisca Júlia Ratton Calouse * 1765  +1785
C. Gabriel João Lourenço Daupias * 1752 + 1784
Bernardo Daupias, 1º Visconde de Alcochete * 09.11.1782 + c.1860
C. Marie Vitória Laurent
Jácome Leitão Daupias, 2º visconde e 2º barão de Alcochete * 07.02.1813
C. Emília Júlia Ratton Daupias Carolina Josefina Ratton
(2)
Júlia Daupias * 16.11.1816 nc ss Etc.
Pedro Eugénio Daupias, 1º conde e 1º visconde de Daupias * 28.05.1818
C. Joana Pereira de Almeida
Etc.
Júlia Francisca Daupias * c. 1785
C. Diogo Ratton
Emília Júlia Ratton Daupias * c. 1815
C; Jácome Leitão Daupias, 2º visconde e 2º barão de Alcochete
(1)
 Diogo Ratton * c. 1770
C. N
C. Júlia Francisca Daupias (2º casam/)
Bernardo Ratton + França, Tournus com dez anos Etc.    
Henrique José Ratton  N Etc.    
José Luis Ratton * c. 1775 N… da Silva Etc.    
Ana Ratton N. de Mure Etc.    
Luzia Ratton N. Aujas Etc.    
Sophie Ratton N Etc.    

(1) Podemos observar aqui que Diogo - aquele que ficou cuidando da Barroca em 1810 - , 3º filho de Jácome, casou em segundas núpcias (sem filhos) com uma sobrinha sua filha do irmão mais velho. Foi este Diogo que herdou a Barroca e a deixou em testamento à sua filha única, Emília.

(2) Emília por sua vez, casou com seu primo Jácome Leitão Daupias, ou Jacques Léon Daupiás, tendo sido eles que finalmente venderam a Barroca a José Maria dos Santos.

[resumo por Miguel D S Lupi - 07/04/2008]

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