José Maria dos Santos
(de 1º de dezembro de 1831 a 19 de junho de 1913)

 

Caetano dos Santos

C.

Gertrudes Maria

José Maria dos Santos
C.
Maria Cândida S. Romäo
     
Joana dos Santos
C.
António Lopes Mendes
     
Joaquina dos Santos
C.
Samuel Lupi
Samuel dos Santos Lupi
C.
Maria Cândida Pires Pinto
José Lupi
C.
Maria Amélia Pereira Lupi

Ramo
Pereira Lupi

Maria Cândida dos Santos Lupi
C.
António dos Santos Jorge
Samuel Lupi dos Santos Jorge
C. Ermelinda Martinez
Nuno Tristão Neves e irmã (enteados)
Maria José dos Santos
C.
   ... Jorge
Maria Cândida Jorge    
José dos Santos Jorge
[Padrinho de baptismo de José Lupi]
Maria José Jorge  

 

José Maria dos Santos

José Maria dos SantosEsta estória, começa no momento que marcou por completo a vida de José Maria dos Santos, e que foi o seu casamento com a baronesa de São Romão. A baronesa possuía diversas propriedades, o que conduziu a que JMS abandonasse a sua profissão de veterinário, para se dedicar à gestão da fortuna que o casamento Ihe proporcionou.

Nesse sentido, procurou adquirir novas parcelas de terreno, que posteriormente arroteava e cultivava, utilizando os métodos mais modernos, chegando a plantar no Poceirão aquela que viria a ser a maior vinha do mundo, e que ocupava uma área de 2400 hectares, com 6 milhões de cepas, com uma produção anual de 20 a 30 mil pipas de vinho.

As transformações que ocorreram em Portugal no período da Regeneração, com a construção de vias de comunicação e a transformação da estrutura fundiária, tiveram como consequência, um acentuado êxodo rural para as zonas urbanas, provocando o alargamento do espaço económico.

Neste sentido, não podemos separar de toda esta mudança, o desenvolvimento agrícola das zonas que se situam perto da capital e de que Palmela é exemplo, com o alargamento do capitalismo aos campos e a abertura da linha de caminho de ferro do sul em 1861. O comboio passou a assegurar o transporte das pessoas e da produção agrícola, onde os solos arenosos propícios para a cultura da vinha contribuíram de forma decisiva para o seu sucesso foi José Maria dos Santos que iniciou os arroteamentos, utilizando novos processos de trabalho, recorrendo a maquinaria para as arroteias e para a plantação da vinha, com recurso adubos químicos, para rentabilizar os lucros da produção vinícola, de forma a satisfazer o mercado interno e externo.

A exploração das grandes propriedades, com carácter intensivo, tinha necessidade de trabalhadores sazonais, uma vez que a mão de obra local não satisfazia as necessidades do mercado de trabalho, o que conduziu à vinda e posterior fixação nesta zona, de populações vindas do litoral beirão e da região do baixo Mondego. Instalaram-se em localidades já existentes, como Pinhal Novo, em casais isolados ou em de novos aglomerados criados para o efeito. Cultivada nas grandes propriedades sob um regime de monocultura a vinha deteve a supremacia económica no concelho de Palmela. A quebra significativa exportação de vinhos, e o alastramento da filoxera por volta de 1872, que destruiu grandes áreas de vinha, entre as quais a da já referida "maior vinha do mundo" que seria posteriormente reconvertida em Pinhal provocou a sua regressão.

No entanto, a situação é inversa no que diz respeito à pequena propriedade, onde se nota uma aposta no incremento na produção agrícola.

Apesar de alguma estagnação nos anos 40/50 do nosso século, assiste-se ainda à expansão da vinha em explorações de menores dimensões, periféricas às grandes propriedades e que ainda hoje desempenham um papel importante na produção vinícola e na economia local.

António José Santos in Jornal do Pinhal Novo, Ano 1, Nº5


Homem de modesta ascendência, José Maria dos Santos tornou-se em poucos anos figura proeminente e poderosa no sector da agricultura Portuguesa no último quartel do séc. XIX.

Mercê de invulgar capacidade de trabalho, de perseverança, de dinamismo, autêntico génio empresarial, onde não faltava a audácia, o pulso de ferro, a bonomia, a visão a longo prazo...

Títulos nobiliárquicos rejeitou-os a eito. D. Carlos, de quem era amigo, pretendeu distingui-lo. Seu nome era o seu brasão, inteligência e trabalho de que justamente se orgulhava.

Licenciado em Veterinária, conta a tradição popular que foi a sua profissão que o uniu à Baronesa de S. Romão. Senhora distinta, viuva, que tinha uma cadelita de estimação. Encontrando-se esta doente, recorreu aos serviços do Veterinário José Maria dos Santos, acabando este por frequentar o palácio da Lagoa da Palha e casar com a Baronesa, quinze anos mais velha.

Homem empreendedor, poderia ter-se dedicado à veterinária ou viver dos rendimentos, mas não. ~ comodidade da abastança estagnada, opôs o seu espírito empreendedor, aumentando de forma colossal a área das propriedades e transformando-as, de regiões bravias e pantanosas , em terras de cultivo e arvoredo.

Considerado o homem mais rico de Portugal, com uma fortuna a rivalizar com a dos potentados Europeus, mandou plantar, com requisitos ainda hoje correctos a maior vinha, (Rio Frio), o maior montado de sobro (Herdade da Palma), do Mundo e ainda um grande Olival alinhado, que veio a tornar-se mais tarde, o maior de todos existente em qualquer País.

Verdadeiro percursor da colonização interna, as terras que arroteou e tratou nos concelhos de Palmela, Montijo e Alcochete, (antiga aldeia galega), povoou-as ele, fixando os trabalhadores rurais para o que lhes cedia courelas, promovendo até em jeito de brincadeira inúmeros casamentos.

Aos vinte e sete anos, o homem que viera do nado, tinha assento nas Cortes como deputado e par do Reino, um ano depois participava na primeira Direcção da Associação Central de Agricultura Portuguesa, desdobrando-se entre a política e a agricultura. Aliás, apesar de diversos cargos públicos que desempenhou, e da enorme influência eleitoral no concelho de Setúbal, nunca sacrificou a política à devoção que tinha à terra.

Como dizia um dos seus biógrafos, «movia exércitos de trabalhadores, tanto nas vinhas de Rio Frio como nas Herdades Alentejanas, grandes como domínios senhoriais». A obra levada a cabo revestia-se de tal importância no domínio da agricultura e da colonização interna que D. Carlos houve por bem nomeá-lo par do Reino.

Cedeu gratuitamente o terreno para a construção da estação, dando emprego a muita gente vinda de vários pontos do pais favorecendo a fixação das colunas migratórias, empregando nas suas terras e cedendo por vezes parcelas de terra.

E tão arreigado está o sentimento de gratidão dos Pinhalnovenses que, três anos após a sua morte o povo da terra inaugurava o seu busto em bronze (custeado por subscrição pública) a um homem que fora deputado, par do reino e amigo da família Real.

Nascido pobre e honrado, licenciado em veterinária, deixaria à data da sua morte, em 1913, uma fortuna calculada em dez mil contos e propriedades que se estendiam por uma área superior a quarenta mil hectares, qualquer coisa como quatrocentos quilómetros quadrados de terra.

O seu testamento é a prova mais evidente de que José Maria dos Santos era um homem que amava o progresso da região de Pinhal Novo e o desenvolvimento social dos povos. Podemos assim ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos.

Testamento de José Maria dos Santos

O testamento de José Maria dos Santos recorda os legados dos velhos senhores feudais. Vale a pena deitar-lhe uma olhadela. À sua ex-tutelada D. Maria Cândida S. Romão de Andrade e a seu marido José Maria Andrade deixou todas as propriedades rústicas e urbanas que possuia em Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal. A sua sobrinha Maria Cândida dos Santos Lupi e a seu marido António dos Santos Jorge, deixou todas as propriedades que tinha nos concelhos de Setúbal, Alcochete e Benavente. A seu sobrinho Samuel Lupi, ficaram todas as propriedades que o senhor possuía nos concelhos de Moura e Serpa. Depois deixa a sua sobrinha D. Maria Cândida Jorge 60.000$000 réis; aos habitantes das suas casas da herdae de Palma deixou 1.000$000 réis para serem divididos em partes iguais pelos chefes de familia e a cada um dos seus rendeiros de Lagoa da Palha, Venda do Alcaide, Vale da Vila, Palhota e Pinhal Novo, a quitação do pagamento da renda do ano em que faleceu. E deixou ainda: ao seu amigo Luiz Lamas, 4.000$000 réis; ao seu feitor Elias José Martins, 15.000$000 réis; ao seu antigo criado de quarto, João, 1.000$000 réis; ao seu criado cocheiro, José Martins, 200$000 réis; ao seu afilhado Diogo Rodrigues Mendonça, 3.000$000 réis.

E deixou ainda 1.000$000 réis para serem distribuidos em esmolas, além de grandes quantias a instituições como a Assistência Nacional aos Tuberculosos (2.000$00 réis), Colégio de S. José de S. Domingos de Benfica (1.000$000 réis), Associação Protectora da Primeira Infância (2.000$000 réis) e 1.000$000 réis a cada uma das seguintes instituições: Asilo dos Pobres de Campolide, Asilo de Meninas Cegas, Asilo da Ajuda, Hospitais de Aldeia Galega, Alcochete, Alcácer e Palmela. Deixa ainda a Maria José, filha do seu sobrinho, 20.000$000 réis, e a João Posser de Andrade a quitação das contas entre ambos. Também o feitor da herdade de Palma foi presenteado com 1.000$000 réis. Quanto ao remanescente coube ao seu 1º testamenteiro António dos Santos Jorge e ao 2º testamenteiro Samuel Lupi.

Para se ficar com uma ideia mais aproximada do que representavam estas verbas em 1913, diremos que, nessa altura, e segundo anunciava «O Século» de 19/06/1913, um prédio na Graça, com uma renda de 720$000 réis por ano, custava 7.200$000 réis. Uma mobília de quarto, estilo Luiz XV, podia comprar-se por 120$000 réis. Ainda por essa altura, um automóvel «Michigan» de 20/33 HP, custava 2.000$000, tanto quanto recebeu em testamento a Assistência Nacional aos Tuberculosos. Também por esse tempo, uma incrição para um jantar de luxo num hotel custaria 1$300 réis. Com o dinheiro que recebeu de herança, João, antigo criado de quarto de José Maria dos Santos, poderia tomar 769 dessas refeições.

Podemos, assim, ficar com uma ideia da grandeza e da generosidade do testamento de José Maria dos Santos. E encontraremos mais uma explicação para o facto de, não se encontrar testemunhos negativos ou críticos da personalidade do lavrador.

O que é difícil de entender é a imensa cortina de silêncio que tem vindo a encobrir a memória desse homem. Silêncio e algum mistério. Como é que o filho do ferrador Caetano dos Santos se torna um dos homens mais abastados do país? E como é que, no fim da sua vida, consegue estender uma mão tão generosa no sentido também dos menos afortunados desta vida?

[ fontes:
http://www.fortunecity.com/meltingpot/covent/365/jms.htm em 10 de março de 2008
www.blogger.com/feeds/34993541/posts/default/4887816740864410494 - 22/03/2008]


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre (04/04/2008)

Filho de um ferreiro de Lisboa, transformou-se no maior viticultor português, fruto de uma capacidade de gestão empresarial única na época.

Diz-se que plantou a maior vinha do mundo, entre a Herdade de Rio Frio e Poceirão, após ter encontrado fortuna ao casar com a Baronesa de S. Romão, viúva do capitalista lisboeta Manuel Gomes da Costa S. Romão. Este detinha todos os títulos daquela propriedade que adquirira, na década de 50 do séc. XIX, com a sesmaria de Venda do Alcaide, transferindo assim capitais do domínio urbano para o sector agrícola (o que à data não era uma atitude muito vulgar).

O Busto de José Maria dos Santos está localizado em Pinhal Novo. É feito em bronze e cantaria decorada com motivos agrícolas. Foi mandado fazer pelos rendeiros do agricultor em 1916 e perpetua a presença de José Maria dos Santos, na vila.

 


Artigos:                  - História de Pinhal Novo com José Maria dos Santos
                              - O 1º Barão de São Romão foi José Eleutério de Souza, coronel da Guarda Nacional.


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