A Empresa Cerâmica de Lisboa


Nos arquivos de Miguel Alves Caetano, temos a seguinte nota: “Empresa Cerâmica de Lisboa, fundada em Janeiro de 1883, por Carlos Bandeira de Melo e Eduardo Lupi, com fábricas na rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa, e em Coina.”


Temos também o seguinte texto:

... Visitámos há dias a fabrica de telha de Marselha de que são proprietários e iniciadores os nossos amigos Loureiro Lupi e Bandeira de Mello, tres moços trabalhadores e intelligentes, a cuja boa vontade e incansável presistencia se deve em Portugal a implantação e o desenvolvimento d'aquelle ramo de industria. Folgamos de ver que alguns portuguezes, se bem que poucos, vão consagrando o seu trabalho e o seu capital ao desenvolvimento de industrias nacionaes verdadeiramente promettedoras, em vez de fundirem o capital em papeis de credito publico e passarem a vida a ver trabalhar os outros. A telha manufacturada n'aqueile estabelecimento é de qualidade e fabrico superiores á telha de Marselha (e não sabemos se até á propria telha do sr. conselheiro Arrobas.)

Extraído de "O António Maria, de 6/12/1883".


E ainda temos a obra:

AUTOR:  MELO, Carlos Bandeira de, 1848-
TÍTULO:  Alguns elementos da história da Empresa Cerâmica de Lisboa : compreendendo os escândalos de 1920-1921 para escorraçarem o fundador  / Carlos Bandeira de Mello
PUBLICAÇÃO:  [Lisboa] : Imprensa de Manuel Lucas Torres1921
DESC. FÍSICA:  91 p. : il. ; 22 cm
NOTAS GERAIS:  Manobras dirigidas pela quadrilha composta de Octavio Bandeira de Mello, seu pai Vicente Lupi Bandeira de Mello, seu tio o Dr. Miguel Solano e seu cunhado João de Araujo Lopes. 2 exs. O ex. com a cota CT 19-CX é doação feita por anónimos dos herdeiros de João Paulo Freire
DESCRITORES:  Empresa Cerâmica de Lisboa
Cota:  CT 347-P  CMLEO  
  CT 19-CX  CMLEO

Daqui já extraímos que esta empresa terá sido realmente fundada em 1883 por Carlos Bandeira de Mello que contaria com 35 anos, por seu primo Eduardo Lupi da mesma peara e por um Loureiro que desconhecemos.

O livro acima foi doado certamente por Judith e Maria de Lourdes Lupi Freire, filhas de João Paulo Freire, cuja esposa Judith Lupi Nogueira era sobrinha (em segundo grau) dos dois fundadores conhecidos Carlos e Eduardo, por ser filha de uma prima direita dos dois, Maria Inês do Carmos Lupi..

Esse livro, ao qual ainda não tivemos acesso, foi escrito por Carlos aos 73 anos e relata além da história da empresa, o que certamente foi uma novela envolvendo escândalos com seu irmão, seu sobrinho, seu cunhado e o cunhado do seu sobrinho. Dá uma história não é?


E, não bastando, temos o resultado de mais algumas pesquisas de Miguel Caetano:

Algumas referências na net:

 “António Maria A. Santos, "Arquitectura de Tijolo" e Indústria - A Introdução do Tijolo Sílico-Calcário em Portugal (1903-1913)
Da difícil importação de um modelo arquitectónico ligado ao revestimento de tijolo até à fixação de uma estética fabril identificada com o aparelho sílico-calcário (produzido na fábrica de Coina da "Empresa Cerâmica de Lisboa", a partir de 1903), a arquitectura industrial portuguesa e particularmente lisboeta, muito ficaria a dever ao protagonismo dos construtores civis, de origem francesa, Charles Vieillard (1850-1911) e Fernand Touzet (1864-1929).”

 “FABRICA DE TIJOLOS, SILICO-CALCARIOS DA EMPREZA CERAMICA DE LISBOA
TÍTULO:  Fabrica de tijolos, silico-calcarios da Empreza Ceramica de Lisboa
IN:  O Occidente. - Lisboa. - Vol. 28, nº 957 (1905) ; p. 163, 165
DESCRITORES:  Empresa Cerâmica de Lisboa / Quinta do Bahute / Fábrica de tijolos / 1905”. 


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